Erro médico é uma das principais causas de óbito no mundo
Profissionais da saúde discutem aspectos da segurança do paciente em evento realizado em São Paulo
Da Redação - Publicado: 02/05/2017 - Atualizado: 18/08/2017

Todos sabem que errar é humano e falhas podem ocorrer em qualquer ambiente de trabalho, mas o que fazer para evitar eventuais riscos quando se atua diretamente com vidas? Pois este foi um dos temas abordados no II Simpósio Internacional de Qualidade e Segurança do Paciente, realizado em São Paulo entre os dias 26 e 28 de abril.

O relatório do Institute of Medicine aponta que, nos Estados Unidos, o erro médico e as demais ocorrências adversas na assistência em saúde são a oitava causa de morte de cidadãos. Porém, uma recente reavaliação dos dados colocou esse tópico no terceiro lugar entre as causas de morte registradas naquele país, perdendo apenas para problemas cardiovasculares e câncer. O dado impressiona, porém são muitos os fatores que podem colaborar para diminuir esse índice.

Variabilidade e ambiente de trabalho

Peter Edelstein, cirurgião norte-americano e Chief Medical Officer da Elsevier Clinical Solutions, defende que a redução da variabilidade na qualidade padrão de toda a cadeia de serviços da atividade hospitalar seja o ponto central quando se trata de melhoria da segurança do paciente e da redução de mortes.

“Nos Estados Unidos gastamos 18% do nosso PIB com saúde, mas mesmo assim não estamos no patamar que gostaríamos de estar.  Algo entre 200 mil e 400 mil pessoas morrem todos os anos no meu país por causa de algum erro cometido por alguma falha no procedimento hospitalar, além disso, todos os dias, 10 mil pacientes sofrem alguma complicação grave que poderia ser evitada. Quase sempre esse número é incentivado pela constante variação de qualidade dos serviços prestados, e isso se repete em todos os países”, disse Edelstein.

Já Susan Sommerfeldt, enfermeira canadense e doutora em relações interprofissionais, entende que a segurança psicológica em um ambiente de trabalho sem desentendimentos e pouco ego inflado seja determinante para a rápida recuperação do paciente e até mesmo para sua integridade.

“É primordial que haja colaboração genuína entre as hierarquias de um hospital, ou seja, que um enfermeiro possa trabalhar com o cirurgião sem nenhuma quebra na comunicação, e que ambas as partes entendam que são uma equipe e que ali há uma vida completamente dependente desse entendimento”, comentou em sua apresentação.

Medicação adequada e “slow medicine”

Em muitos casos, a integridade de um paciente depende exclusivamente de uma simples pílula administrada corretamente. Mark Gilchrist, farmacêutico e consultor em doenças infecciosas do Imperial College Healthcare NHS Trust, conta que é fundamental alterar, quando possível, a administração de medicação intravenosa para via oral. Segundo ele, a alta pode ser antecipada com essa medida, isso porque muitas vezes o paciente permanece internado apenas porque está recebendo medicação diretamente nas veias, ficando assim exposto a eventuais infecções.

“Nem sempre o medicamento a ser utilizado está disponível somente por meio de aplicação intravenosa. Além de deixar leitos vagos para outros casos mais urgentes, o paciente que pode tomar o remédio via oral fica muito mais seguro se concluir seu tratamento em casa”, disse o consultor.

Além disso, a quantidade de informação duvidosa difundida pela internet e por outros meios de comunicação também é um assunto a ser levado em consideração quando se trata de segurança do paciente. Daí vem uma das premissas do novo conceito chamado “slow medicine”. Surgido na Itália, o termo sugere que diferentes áreas da medicina poderiam se beneficiar com uma abordagem mais ponderada e cautelosa, analisando caso a caso e sem pressa.   

Sabe-se que em alguns países essa ideia vem sendo disseminada com entusiasmo pelos profissionais da saúde, que entendem a necessidade de adotar um discurso de prevenção e paciência, ao contrário de estimular a procura pelo resultado imediato com prescrições excessivas e consultas pouco aprofundadas.

“Precisamos utilizar nossas ferramentas com sabedoria”, explicou Luis Claudio Correia, professor adjunto da Escola Bahiana de Medicina. “Por exemplo, me considero um entusiasta dos antibióticos, mas somente quando sei que devo receitá-los. Caso contrário, prefiro encontrar outra maneira que seja eficaz para resolver o problema do paciente, entendendo seu caso individualmente”.

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