Estudo britânico consegue detectar ressurgimento do câncer um ano antes de outros métodos
Descoberta deve possibilitar desenvolvimento de novos medicamentos e aumentar as chances de cura
Da Redação - Publicado: 27/04/2017 - Atualizado: 18/08/2017

Médicos britânicos do Instituto Francis Crick conseguiram encontrar no sangue sinais de câncer enquanto eles eram ainda apenas um pequeno conjunto de células invisíveis para exames tradicionais como raios-X ou tomografia computadorizada. Essa é uma descoberta animadora, pois deve possibilitar diagnosticar o tumor mais precocemente, possibilitando o desenvolvimento de novos medicamentos e aumentando as chances de cura.

Apesar do estudo ter sido realizado para câncer de pulmão, os processos analisados são básicos e podem ser aplicados a outros tipos de câncer.

No projeto, financiado pelo Cancer Research UK, foram retiradas amostras do tumor pulmonar removido em cirurgia. Com análise do DNA a equipe passou a construir uma espécie de mapa genético do câncer dos pacientes, que foram acompanhados com exames de sangue a cada três meses para verificar se reapareciam pequenos vestígios de câncer.

Os resultados podem ser conferidos em estudo publicado na Revista Nature (veja aqui). Eles mostraram que a detecção da recorrência do câncer pode ser feita por esse exame até um ano antes do que os métodos tradicionais.

 

Nova esperança

Dr. Christopher Abbosh, do UCL Cancer Institute, destaca a importância da descoberta: "Podemos identificar os doentes a tratar mesmo que não tenham sinais clínicos de doença, e também monitorar como as terapias estão funcionando. Isso representa uma nova esperança para combater a recaída de câncer de pulmão após a cirurgia, que ocorre em até metade de todos os pacientes".

O professor Charles Swanton, do Instituto Francis Crick, acredita que agora é possível “estabelecer ensaios clínicos para fazer a pergunta fundamental - se você tratar a doença das pessoas quando não há evidência de câncer em uma tomografia computadorizada ou uma radiografia de tórax pode aumentamos a taxa de cura?”. “Esperamos que, tratando a doença quando há muito poucas células no corpo que vamos ser capazes de aumentar a chance de curar um paciente”, disse Swanton.

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