Imunoterapia garante melhor qualidade de vida a paciente de câncer de rim
Estudos avançam e novas drogas oferecem bons resultados no tratamento da doença
Da Redação - Publicado: 28/03/2017 - Atualizado: 24/06/2017

Os avanços no tratamento do câncer de rim e os benefícios proporcionados pela imunoterapia foram tema de workshop realizado durante o VIII Congresso Internacional de Uro-Oncologia. Entre os pontos positivos, destacam-se os bons resultados e os efeitos colaterais, menores que os da quimioterapia.

O oncologista Fernando Maluf, membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, ressaltou que ainda falta saber quem são os pacientes que têm bons resultados com imunoterapia. “Nesse ponto falta avançar, saber para quem serve a droga, para não expor pacientes a efeitos colaterais desnecessários, salvaguardando o paciente e o sistema de saúde”

Outra questão que ainda necessita de estudo, segundo Maluf, é quem pode interromper o tratamento com imunoterapia e o número de doses ideais. “A medicina caminha para a precisão”, afirma o oncologista.

Ele cita como exemplo o câncer de próstata, em que 30 a 40% dos casos podem ser acompanhados sem tratamento, com observação vigilante a paciente que com segurança não necessita de tratamento imediato. “Em alguns casos o tratamento não teria impacto na melhora da doença e sim na piora da qualidade de vida. A observação vigilante permite que a doença não seja tratada sem necessidade”, diz. “Há casos que talvez nunca precisem de tratamento e se precisar, daqui a 5 ou 10 anos, a espera não causará impacto”.

Maluf destaca esse tratamento focal como futuro – ainda não tão perto - também para o câncer de rim, considerando inclusive a diminuição no número de cirurgias. Cita como exemplo o que ocorreu com outros tumores, como de mama, em que o número de mastectomias caiu brutalmente.

Como um dos fundadores do Instituto Vencer o Câncer, Fernando Maluf lançou no workshop uma campanha de informação sobre câncer de rim com um vídeo sobre o tema.

Também participando do evento, o oncologista Fábio Schutz citou o avanço nos estudos e acredita que em um futuro próximo, em um ou dois anos, a imunoterapia poderá ser apresentada de forma presente nos tratamentos, seja associada a outras drogas, para obter melhores resultados, ou como primeira linha – atualmente a imunoterapia não é considerada como primeira opção de tratamento. “Se funcionar, passa-se a ter um novo padrão de tratamento”.

O paciente de câncer de rim Homero Giani deu seu testemunho sobre o uso de imunoterapia. Depois de três anos tratando com quimioterapia, há um ano ele começou o tratamento com drogas imunoterápicas, fazendo parte de um estudo.

“A diferença de tratamento é radical. Sinto melhor o sabor dos alimentos, aumentou meu apetite, recuperei peso, os movimentos do corpo melhoraram bastante”, afirma. “Estou trabalhando, tendo uma vida normal”.

Homero conta que foi um baque quando soube da doença, mas hoje não para muito para pensar. “Eu vivo dia a dia. Nem lembro que tenho”.

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