Novembro Azul: preconceito e acesso ainda dificultam o diagnóstico precoce
III Fórum Ser Homem, realizado pelo Instituto Lado a Lado, reuniu especialistas para discutir políticas públicas e ações de educação voltadas para a Saúde do Homem
Da Redação - Publicado: 10/11/2017 - Atualizado: 17/12/2017

Em sua 10ª edição, o Novembro Azul, campanha de conscientização idealizada pelo Instituto Lado a Lado Pela Vida, amplia o alerta para os principais cânceres do homem: os tumores de próstata, pulmão, cólon, pênis e testículo. Além da alta incidência, eles têm outro ponto em comum: são todos passíveis de prevenção e rastreamento. Ainda assim, a mortalidade por estes tipos de câncer só aumenta.

Para discutir os motivos por trás destes números alarmantes, o Instituto Lado a Lado reuniu especialistas e poder público no Senado Federal, dia 7 de novembro, no III Fórum Ser Homem. O evento foi o marco para o lançamento do Movimento de Coalizão pela Saúde do Homem no Brasil.

Os pilares deste movimento têm como foco a educação e o acesso e visam acolher o homem em sua integralidade: dos cânceres mais prevalentes e doenças prostáticas à saúde emocional, violência e sexualidade. “Não podemos ficar mais aguardando, temos que ter proatividade. Por isso reunimos hoje representantes do poder público, das organizações e da saúde para sairmos daqui com metas que serão trabalhadas ao longo do ano”, explicou a presidente do Instituto Lado a Lado, Marlene Oliveira.

“De 2009 para cá não avançamos nada na assistência, apenas em programas de educação”, declarou o urologista e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Aguinaldo Nardi. Participando desta mesa de debate, o Vice Presidente da Sociedade Latinoamericana de Medicina Sexual, João Afif, também reforçou que o preconceito em relação aos exames preventivos do homem vem sendo vencido aos poucos, graças a campanhas de educação como o Novembro Azul. Para ele, hoje o maior impeditivo para estes cuidados é o acesso.

O maior, mas não o único. Segundo o especialista, o diagnóstico da doença ainda carrega um estigma forte. “O temor da dor, da disfunção erétil, da redução da ejaculação, infertilidade, incontinência urinária e perda da libido são os fantasmas do câncer de próstata que assustam os homens”. Ele frisa, no entanto, que todos eles podem ser evitados com o diagnóstico precoce. 

Além de aumentar as chances de cura e minimizar os efeitos colaterais, a prevenção, através do rastreamento, tem um custo menor. Segundo o oncologista Andre Sasse, faltam estudos para comparar esses investimentos e entender os ganhos da prevenção. “A ideia deste evento é construir um projeto de prioridades e estudos sobre a saúde do homem”, afirmou.

A educação em saúde, tema recorrente em todos os debates do evento, também teve sua defesa na voz do subsecretário de gestão de pessoas na Secretaria de Educação do Distrito Federal, Isaías Aparecido da Silva. Em sua fala no Fórum, ele relatou a vivência da própria Secretaria, que teve que trabalhar formas de promover saúde entre os funcionários devido ao alto número de afastamentos por doença. De acordo com levantamento feito, em 2015 foram 50 mil licenças médicas. No ano passado, este número caiu para 28 mil.

A oncologista e fundadora da Associação Presente de Apoio aos Pacientes carentes com Câncer deu outro exemplo de como a informação e a mobilização podem ajudar na prevenção. Em Montes Claros, onde trabalha, a associação realiza anualmente um mutirão de exames preventivos, como o de toque. Segundo a idealizadora, o objetivo é colocar à disposição das pessoas os melhores profissionais e dar acesso à população carente destes cuidados. “Pessoas assintomáticas procuram o serviço, pois ele é bem divulgado e o acesso é fácil. O preconceito é vencido com informação e acesso”.

O desconhecimento também é problema nas regiões rurais. A coordenadora de Programas e Projetos na Área d Saúde Rural do SENAR, Demiluce Lopes, explica que a comunicação deve ser adequada a este contexto. “O homem rural não tem resistência para fazer o exame de toque, ele não tem conhecimento. Se o recado é passado de forma correta e consciente, com uma intencionalidade educacional, ele tem efeito”, concluiu.

Desde a primeira edição do Fórum Ser Homem, o Instituto mantém uma parceria com o SENAR na criação de materiais informativos que levem conscientização à população rural.

 

 

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