Remédio aprovado tem foco na mutação no câncer e não no órgão afetado
É a primeira vez que a FDA aprova uma medicação não direcionada ao órgão atingido, mas considerando os traços biológicos do tumor
Da Redação - Publicado: 12/06/2017 - Atualizado: 18/08/2017

Normalmente os remédios usados contra o câncer são direcionados ao local onde está o tumor. A novidade dessa medicação, aprovada pela FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora norte-americana, é o fato de o remédio ser focado nas mutações no câncer em vez de no órgão afetado.

A possibilidade de tratar o câncer de acordo com suas características moleculares era esperada pelos médicos para garantir uma Oncologia ainda mais personalizada. Com esse medicamento, que tem base nas alterações biológicas do tumor, o paciente que tiver determinada particularidade pode receber o remédio, independente de ter câncer de próstata, pâncreas, mama, pele etc.

O medicamento aprovado pela FDA é o pembrolizumabe, da MSD, recomendado para qualquer tipo de tumor avançado que não responda aos tratamentos convencionais e que tenha como particularidade uma característica molecular: instabilidade de microssatélite (MSI), que é qualquer alteração no tamanho da sequência repetitiva de DNA por inserções e deleções, que dificulta os reparos do DNA. Com essa instabilidade, uma mutação que poderia ser consertada não o é e pode originar um câncer.

Estima-se que 5% dos pacientes tenham essa alteração.

O pembrolizumabe, que é um tratamento de imunoterapia, estimula as células de defesa a identificar o câncer e o atacar.

Estudo e aprovação

Esse medicamento ainda não foi aprovado no Brasil como fez a FDA, com o objetivo de tratar qualquer câncer desde que o paciente tenha essa alteração. No País ele é usado contra o melanoma (tipo mais agressivo de câncer de pele).

Nos Estados Unidos o princípio ativo já era utilizado contra linfoma de Hodgkin e nódulos no pulmão.

A liberação da FDA foi feita com base em pesquisas preliminares, porque os resultados do estudo foram considerados promissores para sustentar a comercialização do remédio mesmo sem levantamentos mais abrangentes. Novos trabalhos deverão aprofundar as pesquisas do princípio ativo.

Os estudos envolveram 149 pacientes matriculados em cinco ensaios clínicos não controlados – 90 apresentaram câncer colorretal e 59 foram diagnosticados com um de outros 14 tipos de câncer.

Quase 40% dos voluntários tiveram melhora ao tomar pembrolizumabe, apesar de outros tratamentos anteriores terem fracassado. Entre os que tiveram melhoras, 78% mantiverem os benefícios por seis meses ou mais.

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